Blog do Barba
   Julho

A metade se foi. Nenhum desavisado precisou me convencer do contrário. Apenas foi e não voltará. Por mim tudo bem. Não fará falta. Foi como um ciclo que precisa se fechar. O curioso é que por mais que passe e se vá e só retorne no próximo ano, ainda assim manterá lembranças. Ou serão magoas. Não, isso não. No máximo uma cicatriz no lado esquerdo do peito, capaz de permanecer por algum tempo e depois desaparecer sem deixar vestígios.

Julho, lembrarei de ti por muito tempo. Ah, se pudesse encontrar com a personificação do sétimo mês do ano seria exatamente isso que diria. Mesmo que no fundo não queira, ou saiba que esquecer é algo muito mais complexo e distante da minha vontade própria. Como se o verbo esquecer estivesse diretamente ligado ao coração e não a razão. Lembro de ter lido algo relacionado nas crônicas do Paulo Sant´anna.

O que fiz, o que não fiz. O que aconteceu, o que não aconteceu. O que eram planos, e o que se tornou frustração. Engraçado que ninguém me perguntou o que penso sobre isso. De parte alguma. Nem mesmo um desconhecido, que de tão desconhecido não passa de um nômade sem rumo, sem teto, sem direção. Nem antes, nem agora e provavelmente nem depois. Tanto faz, “cada dia com suas próprias preocupações”. Está na Bíblia.

Verdades por verdades, é que julho, por fim, não me deu Paris. É, houveram dias que Paris estava nos planos de julho e julho nos planos de Paris, como dois jovens que se conhecem numa noite estrelada e se amam descompromissadamente. Foi assim. Não trocaram telefones, não trocaram e-mails. Cada um pro seu lado. Eu no meio, perdido e sem ninguém. Foi assim.

Não existe quem culpar. Tão pouco razões para encontrar algum culpado. Sonhadores, visionários, apaixonados, talvez, não culpados. O que importa é que fiquei, não cheguei, não vi e não tive tal oportunidade. Não houve reencontro, abraço e o escambau. Só mais distância. Aprendizados as pompas. Clichês gritando no pé do ouvido: “eu avisei”, “eu avisei”. Paris não veio. O dia não veio. Outros vieram, diferentes, com outras oportunidades, perspectivas e decisões. Só Paris que não veio. Oxalá, que venha um dia.

É isso, decisões. Atitude, no singular e plural. Comodismo? Não. Só o momento, não era hora, sei lá. Julho não quis. O ano não quis. O destino não quis. Haverá uma nova chance? Sim, porque não. Sonhar ainda é permitido e não nos cobram nada por isso. Afinal, esquecer é verbo que não se controla e só o tempo dirá se fiz (emos) a melhor conjugação.

Enfim, bye, bye Julho.



Escrito por Anton Roos às 15h01
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   Dia ruim

Dois cachorros brincam na calçada. Os que passam precisam desviar dos quatro patas. Um vira lata, mezzo sujo e com o perdão da palavra, bem feinho, outro, filhote de cachorro pedigree. Os dois parecem desinteressados com o que se passa a sua volta. Também pudera o que poderia interessar dois cachorros no conflituoso mundo dos seres humanos? Eles comem, são tratados – quanto ao vira lata não se sabe, porém? –, tem donos que cuidam deles.

 

Nem suspeitam os caninos, que ao lado passam pessoas a carregar nas costas um piano de calda de problemas. Pior, existem pessoas que não tem quem cuide delas. Pessoas e seus dias ruins. Porque no mundo dos homens, existem dias, e dias.

 

Alguns anos atrás, Michael Douglas interpretou uma pessoa que vivera seu dia de fúria. Mostrava o quanto estamos fadados a nos influenciar facilmente e nos abatermos pelos problemas que temos. No filme, Douglas externava todas suas mazelas contra tudo e todos, como um desabafo contra o mundo minimalista que vivemos.

 

O cinema ainda produziu outra obra peculiar: Clube da Luta. Brad Pitt e Edward Norton protagonizam personagens conflitantes e que representam o limite da sanidade do ser humano. Quando saí do cinema, recordo que tive vontade de socar a primeira pessoa que me cruzou o caminho. Não que ela fosse má, ou merecesse um sopapo no pé do ouvido. Fui condicionado aquilo. Como se pudesse fazer isso toda vez que passasse por um dia ruim ou quisesse exterminar meus demônios.

 

E olha que não foram poucos depois que assisti ao filme. Cheguei a escrever um pequeno conto influenciado pelos dois filmes.

 

Um estudante de medicina de São Paulo está preso, justamente por fazer do seu dia ruim o calvário de outras três pessoas. Isso sem contar as famílias. O propenso estudante, simplesmente entrou em uma sala de cinema, e disparou contra o público. Vivia um dia ruim? É possível, entretanto, o seu dia ruim, o levou a cadeia e ceifou seus anseios de se tornar médico. Três pessoas morreram enquanto procuravam se divertir assistindo a um filme no cinema. Quem explica?

 

É impossível prever o que será do dia de amanhã. Que pé terá o prazer – ou não – de tocar o chão primeiro. Que cara e espírito receberá os primeiros sinais do novo dia. Todavia, a certeza que paira no ar, é que por mais que vivamos um dia ruim, ainda assim, vamos olhar nos olhos das pessoas e dizer “Bom dia”, e quando perguntados sobre como estamos, vamos ser ainda mais mentirosos em dizer que “estamos bem, obrigado”.

 

Nem sempre se está bem. E isso, garanto, não é privilégio somente dos seres humanos. Lembram dos cachorros que brincavam? Amanhã eles não vão olhar na fuça um do outro. É a vida. Existem dias, e dias.  



Escrito por Anton Roos às 08h37
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   O flagelo de um homem - Parte 2

Será que ele tem histórias para contar? Será que alguém se importa com essas histórias? Suas angustias, lamúrias, sofrimento. Está claro, ele quer um abraço. Tenta se levantar, agarra-se ao vaso sanitário e parece confortar-se. Não há reciprocidade. Parece rememorar o abraço de uma única pessoa. Onde estará ela enquanto o homem definha no chão frio e úmido do banheiro?

 

- Eu te amei tanto, resmunga com parte do rosto grudado a parede do vazo.

 

Dúvida. Por um instante, ele põe em cheque o amor que preserva no coração. Será que prevê um futuro de ainda mais dificuldades. No fundo ele sabe que ainda ama de todo coração. Mas sente que o seu está esmigalhado.

 

Será uma metáfora? Coração e espelho, espelho e coração.

 

O espelho é simples. Está lá há anos, no mesmo lugar. Esse mesmo homem já passará por ele várias vezes. Escovara seus dentes diante dele. Passara o pente nos cabelos e barba, antes de sair para encontrar o amor que o faz chorar nesse momento de dor e dúvida. Já se viu ali uma centena de vezes. Não percebeu quando a rachadura do espelho cresceu. Qualquer dia, uma das partes pode cair. Dizem que espelho quebrado é sinal de má sorte. Ele não acredita em superstições.

 

E se uma das partes quebradas do coração cair? Que sinal isso tem.

 

Dias antes, se olhava no mesmo espelho e dizia com ar de triunfo:

 

- Eu vou vencer. Eu sei que vou. Acredito nisso.

 

O homem desfalecido no chão, sempre gostou de conversar diante do espelho. Fez isso incontáveis vezes. Mas agora, parece temer o novo encontro com si próprio. Não sabe a razão. Talvez se sinta como o pior dos seres. Um monstro, um derrotado. Tem medo de saber a verdade da forma mais cruel e injusta possível. Ao menos para ele. Pelo significado que ele apregoa para crueldade e injustiça.

 

Algo mexe com seu interior. Ele sai do transe. Levanta. Está zonzo. Com um passo a esquerda estará diante do malfadado espelho. É preciso encará-lo. Dizer olhando nos olhos aquilo que está engasgado. Desabafar. Jogar forra as correntes que lhe prendem. Sem isso ele jamais conseguirá abrir a porta e sair. Encarar o mundo.

 

Ele ouve a televisão ligada. Noticiário. Rebeliões em presídios, assassinatos mal resolvidos, visitas governamentais á países estrangeiros. Um mundo se passa do lado de fora. Outro, dentro dele. É esse mundo que o homem precisa conhecer. Tem vergonha da sua nudez. Se sente impotente. Desafia suas imperfeições e resolve encarar-se de novo.

Enfim, está diante do espelho. Observa a si próprio. Seu rosto, seu peito, seu corpo. Tenta ir além. Ver o que existe depois da carne e dos ossos. Ver sua alma. Conhece-la. Uma rajada única e certeira basta. Assim se fez:

 

- Quem és tu? O que fazes assim desse jeito? Achas que agindo desta madeira vai mudar alguma coisa? Acorda rapaz, tu fizeste o que teu coração pedira que fizesse. Tu acreditaste nos teus atos, foi sincero, amigo, conselheiro e foi sim, não coloque em dúvida isso cara, amado de todo coração. E tu sabes, no fundo tu sabes, que serás recompensado pelo amor que queima no teu peito. Pare de lágrimas. Levante a cabeça, pessoas dependem de você. Sua família, amigos, colegas. Não subestime sua capacidade. Pode ser clichê e demasiadamente piegas, mas é fato: não há nada como um dia após o outro. Você sabe disso, não entendo como duvidas ainda. O que é teu ninguém tira. Acredite. Viva, conjugue esse verbo, novamente, de uma nova maneira, mas conjugue. Não tenha medo de errar.

 

Por um instante, silêncio.

 

O homem, enfim, sorriu. Olhou para dentro de si. Para os olhos vermelhos e ainda entorpecidos de sofrimento. Para os cabelos ralos e desajeitados, para a barba por fazer, do jeito que se sente bem. Abriu a torneira para lavar o rosto. Olhou uma vez mais no espelho e ainda sem saber ao certo o que se passara, agradeceu:

 

- Obrigado.

 

De bermuda e chinelo, saiu do banheiro. Na sala encontrou outro homem. Sentado, sozinho no sofá assistia a TV. Cabelos grisalhos, de óculos e bebendo uma generosa xícara de café com leite. Seu pai.

 

Com um brilho intenso nos olhos e uma renovada força interior, disse:

 

- Pai, eu quero um abraço.

 

Enquanto via o pai sorrir e se levantar para vir ao seu encontro, deixou que o inconsciente lhe falasse mais uma vez:

 

- Deus, obrigado por tudo.



Escrito por Anton Roos às 08h19
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   O flagelo de um homem - Parte 1

Três por um e meio. Nenhum centímetro a mais nem a menos. As paredes, apesar da recente pintura, demonstram sinais de desgaste. O verde da parte inferior é intenso. O branco que recobre o restante da peça está coberto de ranhuras. O teto de madeira é velho, não recebe uma lavagem há tempos. Esta sujo. A luz é fraca, contrasta com o verde intenso da parte inferior da peça. Em pouco, manter-se de olhos abertos se torna cansativo.

 

Uma pequena veneziana, aberta ou fechada, não é capaz de distinguir se é dia ou noite. Além da porta, também verde e recém pintada, é a única ligação com o mundo exterior. Não se vê nada dali. Nem sol, nem chuva, nem pessoas. O pequeno boxe, que separa o chuveiro do vazo sanitário e da pia, é improvisado e ainda se percebe a umidade de um banho recém tomado no piso frio e nas paredes cheias de gotículas d’água. Outras tantas se formam na base do chuveiro. Caem leves, sem pressa, como um tempo que insiste em se manter estagnado.

 

Duas toalhas úmidas estão penduradas na parte superior esquerda do banheiro. Um pedaço de madeira de aproximados 50 centímetros com 5 pregos distribuídos entre ele, serve como cabide. Sustenta as peças de banho e algumas roupas. Uma calça jeans, envolta num cinto preto e sustentando um molho de chaves e um chaveiro com a palavra, RUSH. Uma camiseta roxa e uma cueca branca. No chão um par de sapatos e meias sujas. A pia e latrina parecem limpas, brancas como a neve. Foram lavadas a poucas horas. Outra toalha, de rosto, cobre a face de um homem, deitado no piso frio. Nu.

 

O silêncio é sagaz. Ele tenta mirar alguma coisa. Sua visão converge num raio de aproximados 45 graus. Um espelho é o que vê. Por um instante, o homem tira a toalha dos olhos para observar a sua volta. O corpo deitado parece cansado, os olhos estão inebriados pelas lágrimas que teimam em não cessar. A essa altura é impossível definir a quanto tempo ele jaz deitado e aparentemente sem forças para continuar. Não tem amigos, ou alguém para conversar. Está só.

 

O olhar procura incessantemente pelo universo limitado do banheiro. Precisa de ajuda. Não tem forças para levantar. O silêncio é implacável. O gemido da dor e do vazio assola o coração do homem como uma geleira. Reverbera pelas paredes.

 

- Tem alguém me ouvindo – clama com voz trêmula e quase sem forças.

 

As lágrimas aumentam. A toalha outrora úmida pelo secar de várias lavagens de mãos, serve para enxugar os olhos lacrimejantes. A mente do homem trabalha. Ele não ouve vozes. Luta contra si próprio. Contra a insanidade. Momentânea?

 

- E se eu desistisse agora? Pergunta inconscientemente.

 

 A voz teima em escapar. É preciso. Conversar. Só isso. Ser ouvido.

 

- Porqueeeeeee?

Quase como um grito. Abafado, o questionamento supera o silêncio. O homem precisa de respostas. Quer entender o que se passa. Sua vida está um caos. Um tormento. O mundo desabou sobre sua cabeça. Está sem chão para pisar, sem forças para continuar.

 

- O que foi que eu fiz?, pergunta com dificuldades claras devido ao choro incessante.

 

A frase se prolonga. Nova seção de choro. É triste ver a cena. O homem se contorce. Parece querer sair do corpo. Rasgar a própria pele em sinal de desespero. O espelho não fala. Está quebrado. Partido em dois pedaços, tal qual o coração do homem nu.

 

Em posição fetal parece se acalmar. Abre os olhos. Morde a toalha que segura nas mãos com toda força que ainda lhe resta. Vê a vida que segue. Pequenas formigas e seus destinos irracionais.

 

- Oi, porque vocês têm pressa?, pergunta a procura de um amigo.

 

Sinal de loucura? Um homem conversando com um grupo de formigas? Em condições normais, era possível que ele jamais as tivesse visto, e que mesmo sem querer, tivesse pisado em cima delas, destruindo o curso daquilo que faziam com tanto empenho e agilidade. Ele quer uma resposta e repete a pergunta.

 

- Oi, porque vocês têm pressa?

 

Sem sucesso tenta outro caminho.

 

- Eu invejo vocês, andam pra lá e pra cá. Parece que todas sabem a função que exercem e o motivo de sua existência. E eu, será que alguém pode me dizer qual a minha função e o motivo deu estar aqui? Poxa, eu to cansado, será que ninguém percebe isso. Porra, vocês me odeiam também, é isso? Respondam suas formigas nojentas. Respondam.

 

Num excesso de raiva a pesada mão do homem determina o fim da trajetória das formigas. Cessa o andar. Rapidamente, ele desvia sua atenção. Volta-se para o teto. Para a lâmpada dependurada que parece a quilômetros de distância. Um oceano, talvez. Ergue a mão direita, tenta toca-la. Não tem forças.

 

- Eu preciso tanto de ti. Ele vê um rosto na claridade da lâmpada, sorrindo para ele. Lembranças, boas lembranças.

 

A mão cai. Ele parece absorto num transe. Resmunga palavras indecifráveis, incomunicáveis. Vai adormecer. Clama por ajuda. Implora. Será que sabe para quem pedir? Ou como fazer?

 

Três palavras se sobressaem: “ajuda”, “porque” e “te amo”. É por amor que ele sofre. Quer ajuda para superar o momento ruim. Questiona-se, por achar que fez algo errado e não sabe o que? É preciso entender o que se passa com esse homem. Que vida ele tem, que princípios carrega dentro dele.

 

SEGUNDA PARTE AMANHÃ



Escrito por Anton Roos às 14h25
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   O tempo, a distância e a incerteza

Pretensão demais seria discorrer sobre o tempo em poucas e esdrúxulas linhas. Ainda mais se a ousadia fosse exclusivamente falar dele. O tempo. Até justificar de que tempo a missiva se trata, já teria escrito um tratado. Longe de mim, por enquanto. Resolvi unir ao tempo, a distância e o incerto. Falar dos três unidos é tarefa bem menos inglória.

 

Certezas por certezas, o tempo é passageiro. E passa rápido. Quando vivemos momentos de plena e total felicidade, por mais que insistamos em perpetuar cada segundo, o tempo – carrasco que é – não afrouxa o nó e continua de passagem. Por outro lado, quando ao tempo se une a distância daquilo que mais desejamos, ele parece caçoar da nossa deturpada cara de tristeza, como quem diz: Agora guenta rapa! Como agravante, o incerto. O que será depois que esse maldito tempo passar, pensamos a todo instante. E a certeza da incerteza nos corrói a mente. Como se pensa besteira nessas horas.

 

Em junho do ano passado, o tempo parecia que nunca passaria. Toda quarta-feira era uma tortura esperar pelos jogos do tricolor pela Libertadores da América. Penúria. Da hora que saia do trabalho até o começo da partida o tempo parecia não passar. Ele passava, mas dava a impressão que não passaria. Os 90 minutos de jogo então, pareciam eternos. Que o diga a peleja contra o Santos na Vila. Em dezembro, fiz uma viagem de ônibus até o Rio Grande do Sul. Outra vez, o tempo parecia que perpetuaria eternamente um zilhão de vezes. Não bastassem os dois dias de viagem parecer intermináveis, as noites também foram. Um martírio.

 

Nos idos de 1999, tive minha primeira experiência com relacionamento a distância. Foi um desastre. Sofrimento, dor, e uma sensação que aquele vazio não passaria jamais. O sentimento perdurou por alguns anos, mas morreu por falta de vitamina. Justamente, por falta de alimentação. Morreu de “fome”. O tempo me fez acreditar que jamais viveria algo semelhante e que estaria fadado a solidão. Um eterno solteiro. Não que isso fosse a pior coisa do mundo, mas de certa forma, havia uma amargura crescente no meu peito. O tempo colocou as coisas em ordem, e me concedeu nova chance de amar. Porém, a distância voltou e a agora, resta-me a incerteza. Ah, e uma mente confabulando, confabulando e confabulando um paiol de bobagens. Dureza.

 

Quando deixei o Rio Grande do Sul, dez anos atrás, não fazia idéia do que aconteceria comigo. Tinha 18 anos e um carrossel de dúvidas sobre meu futuro. Precisava me encontrar. A propósito ainda não sei o que será do futuro. Descobri que a única certeza que temos com relação a ele é justamente a incerteza de não sabermos o que irá acontecer. É assustador, mas é a verdade.

 

Todas as decisões que tomamos na vida nos fazem viver experiências que podem mudar nossos rumos e, infelizmente, nos tirar do caminho de certas pessoas, nos colocar no caminho de outras e assim por diante. E quanto a isso, não se tem muito o que reclamar. A escolha é individual. Livre arbítrio. Se minha opção foi sair para uma festa, teoricamente estava condicionado a conhecer pessoas e deixar que tais pessoas invadissem minha vida. O segredo: saber discernir a importância dessas pessoas para cada ocasião.

Vou além: o segredo, é justamente esse. Discernir o que é realmente importante do que não é. As vezes, precisamos quebrar a cara, quinze vezes para aprender que o caminho que tanto insistíamos não era o ideal.

 

Logo que terminei o colegial, entrei na faculdade de Direito. Era jovem e cheio de dúvidas. Será que ser um advogado era realmente o que queria para minha vida? Durei pouco mais de um semestre. Não me adaptei, não insisti é verdade, mas preferi não persistir em algo que poderia não me trazer felicidade. Hoje estaria formado, mas prefiro acreditar que não estava totalmente preparado para aquilo. Tentei letras e publicidade posteriormente, e também não deu certo. Agreguei das experiências o melhor que pude e aguardei minha hora. Encontrei meu caminho, o que queria, embora o incerto vive a me rondar. Jornalismo, a minha paixão.

 

O que será depois que estiver formado? Quem sabe? Deus? É provável, entretanto, eu sei que faço o que gosto e que estou com mentalidade e maturidade suficiente para seguir em frente. Por mais que o tempo passe, a distância machuque, e a incerteza seja uma constante, não se pode desistir, jamais.



Escrito por Anton Roos às 11h26
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   Mãe

Certa vez, um amigo confidenciou enquanto observávamos as estrelas sentados em cadeiras de balanço: Cara, aproveita a presença da tua mãe enquanto a tens junto de ti. Continuei a observar a imensidão negra do céu e seus pontinhos iluminados, partir de então, refletindo sobre aquela afirmativa. Esse amigo, perdera a mãe vitima de doença maligna cerca de um ano antes. Falou dos momentos de sofrimento que passou depois da perda de sua genitora. Achei melhor não pensar no pior.

 

Tempos depois, estava em casa, e de certa forma, aquele horário de almoço tinha todos ingredientes para ser apenas mais um. Minha querida mãe, voltava de uma consulta médica, ainda incrédula. Estava doente e precisava se tratar. Minha primeira reação, foi fugir daquela realidade. Refugiei-me num mundo onde não existem atrocidades e nem perdas deste quilate. Falei com meu amigo sobre minha preocupação.

 

Não foram poucas as vezes que falamos sobre o assunto. Talvez ele tenha sido a única pessoa com quem conversei a respeito. Mas não tinha para onde fugir. Mamãe precisava de cuidados especiais. Tinha medo quando a via cabisbaixa e com lágrimas nos olhos. Assim, deixei as coisas acontecerem. Sempre fugindo e evitando emoções mais fortes. Foi a maneira que encontrei para enfrentar a situação.

 

Em pouco tempo, percebi a grandeza da minha mãe e o quão valioso é o abraço, o carinho e o “eu te amo” dito por ela. Aprendi o valor daquilo que conversara com meu amigo sentado em uma cadeira de balanço. Minha mãe se mostrou forte e vencedora. Buscou forças onde as esperanças esvaiam-se. Uma heroína. Percebi em poucos meses distante dela, o quanto ela me faz falta e o quanto preciso dela.

 

E saber que durante todos esses anos, tive vergonha de olhar nos olhos da minha mãe e dizer: eu te amo. Senti-me um completo idiota pela vez que não permiti que ela fosse a uma festa comigo, porque achava aquilo um absurdo, algo cafona. Onde já se viu uma mãe no meio da galera, pensei. Cresci, aprendi, e vi o mesmo se repetir. E o amor de todas outras mães? Intacto. Inabalável. Amor de mãe. Daquele que não tem igual.

 

As vésperas de mais um dia das mães, conto os dias para abraçá-la e dizer-lhe o quanto a amo. Por que na vida, não se pode deixar para depois, ou para os amanhãs o que se pode fazer ou dizer hoje. Ame de todo coração. A sua e as demais mães desse mundo. Mãe é mãe, já diz o ditado. Pra toda vida, pra sempre. Para te proteger, te ouvir, te aconselhar, e claro, te amar.

 

Obrigado mãe.



Escrito por Anton Roos às 14h19
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   Suco de caju

Estava cansado. Passara horas em claro, divagando comigo mesmo dentro de um ônibus. Limitado ao meu próprio silêncio. Os demais passageiros daquela viagem precisavam descansar. Tinha uma missão àquela sexta-feira em Brasília. Outros dependiam do meu sucesso. Um fracasso seria imperdoável. Sem dormir, atravessei a manhã munido de uma generosa xícara de café com leite. Antecipei meu almoço em vista do tempo escasso, e assim mesmo, entorpecido de um estafe mental e corporal, parti para meus compromissos.

Um mundo se passava a minha volta. Acompanhava com comedido interesse a correria das pessoas a e o tráfego intenso dos veículos. Como a vida é interessante, pensei, em certa altura de minha jornada vespertina. Esbocei um sorriso antes de sentar e aguardar minha vez para encaminhamento do passaporte. Enfim, sossego, paz, e alguns minutos de tranqüilidade. Preferi me concentrar no outro compromisso: a entrevista. Remoer-me pelas incertezas da minha vida particular era um ultraje. Aguardei minha vez, e de lá, sai incrédulo com tamanha facilidade.

 

Na caderneta mental de compromissos para aquele 18 de abril, acabara de riscar um deles. Passaporte, ok. Passei os olhos no relógio e percebi que tinha tempo a favor. Optei por uma caminhada. A sensação de quentura era imensa. Comprei água. E continuei a caminhar, pensando na pauta, na entrevista e nos seus resultados. Encontrei meu destino antes do esperado, tive tempo para me refrescar á sombra de uma velha e imensa árvore. Do momento que resolvi bater a porta da minha entrevistada até a despedida, foram duas horas e meia. Tempo suficiente para inúmeras lições.

 

A mulher que me recebeu na sua sala de estar tinha 90 anos. Um largo sorriso foi seu cartão de visitas. A voz grave e implacável contrastava com a baixa estatura. Fragilidade? Nem pensar. Aracy foi voluntária da Força Expedicionária Brasileira durante a 2ª Guerra Mundial. Passou oito meses na Itália, enfrentou o mundo por uma causa. Um ideal, fomentado no berço da família e enquanto cursou Ciências Econômicas na década de 1930. A mulher de cabeços grisalhos a minha frente, descendia do patrono da infantaria brasileira durante a Guerra do Paraguai, Antônio de Sampaio.

 

Um exemplo. Enquanto ouvia seu relato percebi que havia brilho naqueles olhos. Orgulhoso por ter feito parte de uma história fascinante da humanidade, ter contribuído para o bem estar de muitos. A vontade de enfrentar o mundo sem se abster de ter lutado pelo que acreditava e principalmente pelo país que amava. Senti-me brasileiro. E enquanto sentia os pelos de meu braço ouriçarem-se tive um sobressalto de consciência. Um lapso de vergonha de um país mal governado e miserável politicamente. Que não tem educação e não preserva sua história, sua cultura, sua essência.

 

Acompanhei aquela senhora numa viagem no tempo. Entre fotografias e prêmios. Lembranças. Não mais que isso. Pensei se possuía lembranças dignas de contar para meus netos. Pensei no que sou e no que tenho feito. “Eu faria tudo de novo”, disse ela, enquanto me servia um copo de suco de caju e um pedaço de torta de nozes. E eu, será que faria tudo de novo? Voltei a correria do mundo moderno. Das grandes cidades. Não se tem mais tempo pra nada, e no fundo, nada se faz. Será que existe felicidade hoje em dia? Ah, como eu queria outro copo de suco de caju. 



Escrito por Anton Roos às 11h16
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   És gringo? Te mato

Aquele homem tinha o perfil de quem, em circunstâncias normais, passaria despercebido. Não havia motivo aparente para nossos caminhos se cruzarem, e na pior das hipóteses, trocarmos algumas palavras. Aguardava o coletivo na conturbada e movimentada Rodoviária do Plano Piloto de Brasília. Jogo rápido. Embarcar, pagar, assoviar algumas melodias tolas, relembrar bons momentos vividos, chegar no ponto de descida e pronto. Nada de demais.

 

Curioso, que tantas vezes, em todo lugar e a toda hora, centenas de pessoas passam ao nosso lado e não damos a menor importância. É a velha história, que sempre martelo: acima de tudo somos individualistas. Prega-se tanto sobre coletivismo, solidariedade e afins, mas no fundo, precisamos em principio sermos individualistas e naturalmente um pouquinho egoístas. É da natureza humana e não há quem me prove o contrário.

 

O homem tinha uma aparência surrada pelo tempo, não mais que quarenta anos. Barba por fazer, roupas desgastadas e uma profundidade no olhar assustadora. Carregava uma mochila nas costas, e nas mãos um pote plástico com alguma espécie de sopa. Sabe-se lá quantas refeições antes daquela, o pobre homem tinha feito aquele dia. Passava das oito e meia da noite. Estava introspecto no meu canto, pensando se aceitava ou não a oportunidade de ilicitamente pegar uma carona de carro até meu destino. Tempo suficiente para que nossos caminhos se cruzassem. O meu e o do homem do pote plástico com sopa.

 

Quando parou diante de mim, recebeu a mesma oferta que eu havia recebido minutos antes:

 

- Amigo, W3 Norte?

 

Com cara de poucos amigos, se fez de rogado, sem dar atenção ao que haviam lhe proposto. Apontou o dedo em minha direção e com os olhos levemente tomados por uma raiva sanguinária, exclamou:

 

- Tu é gringo?

 

Tomado por um susto momentâneo, tive poucos segundos até que respondesse a indagação daquele homem. Afirmei minha condição de brasileiro, como de fato, faria em qualquer lugar do mundo. E fui tomado por nova intervenção do homem que persistia com o dedo apontando na minha direção:

 

- É bom mesmo, porque gringo não é bem vindo por aqui. Gringo por aqui tem de morrer.

 

O sangue me subiu a cabeça. Fiquei estarrecido. Não tive chance de retrucar e acho que foi o melhor que aconteceu. O homem do pote de plástico com sopa, baixou o dedo em riste, deu nova colherada no suculento liquido marronseado e seguiu para, teoricamente, nunca mais cruzar com meu caminho.

 

Aceitei a ilícita oferta da “carona” e embarquei no carro rumo a W3. Não podia ficar mais um segundo naquela Estação Rodoviária. Minha cabeça por instantes, pensou em mil coisas. Que motivo teria aquele homem para tomar a atitude que tomou? Que mal os “gringos” teriam lhe feito? E eu, com tudo que me ocorre nos últimos dias, que lição poderia tirar daquele episódio. Comecei o ano acometido de poucas perspectivas, fui agraciado com uma chance que pelas circunstâncias impostas pelas mais distoantes realidades, acabou por se tornar apenas um sonho, bem distante, diga-se.

 

Em tempo, e enquanto tive a chance de sonhar com uma nova realidade e uma nova vida longe do Brasil, o fiz com todas as forças possíveis. Não me arrependo, pelo contrário, acredito que na vida muitas vezes precisamos assumir nossos erros e fraquezas para que possamos encontrar o caminho que verdadeiramente queremos trilhar.

 

Quantos sonhos foram interrompidos no Aeroporto de Madrid esse ano. Quantos sonhos aquele homem entre uma colherada e outra de sopa, punha pra fora tendo em mim seu algoz e expurgando todas suas angústias e sua raiva para com os estrangeiros, que muitas vezes – ou na maioria das – são tidos como super stars quando cá desembarcam, não importando sua procedência ou seu caráter. E nós quando, sonhamos com um lugar ao sol, e para isso vislumbramos uma nova vida em terras estrangeiras, somos tão maltratados e sofremos tanto.

 

Que país é esse, que acolhe com tanta facilidade e é tão humilhado lá fora. Que vida é essa, que transforma os sonhos das pessoas em utopias ou ilusões devido o número de erros que elas cometem e, por fim, que vida é essa que separa histórias belas e eternas, por um oceano de especulações.

 



Escrito por Anton Roos às 14h17
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   Quanto mais, melhor

Tornara-se regra. Sexta-feira chovesse ou não, o destino era um só: assistir o show dos guris. Já fazia um tempo que aquelas noitadas, não eram somente movidas pelo show. Haviam se transformado em verdadeiras celebrações. A casa estava sempre cheia, era uma disputa acirrada pela preferência do garçom e por um lugar na fila do banheiro.

 

A pressão sobre os guris era grande, afinal, como tocavam todo fim de semana, precisavam variar o repertório, o que nunca foi tarefa fácil. A velha historinha de agradar a gregos e troianos. Todavia, aquela sexta-feira foi especial. O semblante dos músicos estava sério e compenetrado. Os indícios apontavam para um show como todos que eles vinham fazendo nos últimos meses. Não havia reclamações. Alias, seria um desfrute de quem reclamasse, uma vez que não havia outras opções. Ou era o show dos guris, ou Globo Repórter.

 

Música após música a noite corria. As celebrações de sexta-feira eram divididas em duas partes. Quase no fim da primeira, um homem moreno e corpulento se aproximou do guitarrista e disse: Posso tocar uma com vocês? Sem entender direito, o guitarrista fez sinal de positivo, crendo que aquele não passava de mais um propenso músico aquela altura do campeonato com mais álcool no sangue que toda fábrica da Pirassununga.

 

Não demorou e o cara voltou com seu instrumento. A atenção dos músicos se voltou para ele. O que tinha dentro daquela caixa? Triunfante, o corpulento rapaz tirou um trompete de dentro dela, brilhante e dourado. No intervalo entre uma música e outra, os guris, boquiabertos trocaram algumas palavras com o moreno trompetista. A impressão era uma: será que esse cara sabe mesmo tocar esse trompete.

 

Logo na primeira música, era impossível não perceber a sensação de prazer no rosto dos guris. As pessoas que até bem pouco estavam mais interessadas em beber, foram fisgadas pelo que acontecia no palco improvisado. Foi um massacre, uma ode a boa música, tendo naquele trompetista desconhecido seu toque de mágica, a cereja do bolo. Uma noite inesquecível feita na base do quanto mais, melhor. Anos se passaram, e os guris lembram daquele show com carinho especial. A adição de um instrumentista trouxe qualidade a apresentação.

 

Uma das lições que trago da infância faz jus exatamente a isso. A qualidade em detrimento da quantidade. Em tempos que se tem de tudo a toda hora e lugar, um pouco de cuidado em relação a qualidade é indispensável.

 

A imprensa nacional adotou Isabela como queridinha do Brasil. Não se faz matéria sobre outra coisa nos grandes centros. Em contra partida, nos primeiros meses de 2008, nasceram novos jornais na cidade. Um assombro. Uma propagação de informação que assusta. Ajam olhos para ler tanta coisa. O pior está justamente na qualidade. Não existe. As raras exceções mantêm-se sob os trilhos torcendo para que os pára-quedistas não atrapalhem sua jornada. Pois aqui, se agradece de joelhos aqueles que governam e se publicam jornais na mesma proporção que se vai ao banheiro depois de um desarranjo estomacal.

 

Quanto mais...melhor



Escrito por Anton Roos às 16h33
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   Responsabilidade

Tenho refletido muito sobre o tema. Tanto que acredito o dito polissílabo jamais esteve tão presente. No que tange aos veículos de imprensa, o termo é normalmente pautado como regra para produção de informação verossímil e condizente com a realidade. Entretanto é notório que se questione, muito embora, o assunto seja merecedor de muito mais espaço que o reservado a esta coluna.

 

Dia desses, fui testemunha de calorosa discussão sobre o futuro da profissão jornalista. De um lado se argumentava que o mercado está a cada dia mais acirrado e que as faculdades não estão aptas a capacitar os futuros profissionais para o dia-a-dia das redações, estúdios de gravação, etc. Do outro, contra argumentava-se afirmando a necessidade da profissionalização. O casamento entre teoria e prática. Pena que o tempo diminuto não concedeu espaço para que os debatedores terminassem a discussão.

 

Pairaram dúvidas no ar naquela manhã quente e seca.

 

Ora, não é novidade que a região oeste pleiteie separar-se do restante da Bahia, e fato é, que nunca na história, a criação do Estado do São Francisco estivesse tão próxima de acontecer. Só isso já faz deste chão, merecedor de mil e uma “responsabilidades” por parte dos comunicadores locais. Roda Velha cresce e tramita emancipação de São Desidério. Este por sua vez, é um dos maiores produtores de algodão da Bahia. Barreiras é Barreiras, mãe desta região e crescente pólo universitário, Luis Eduardo, além de capital do agro negócio, ganha a cada dia contornos de cidade grande. E isso sem contar, os demais municípios circunvizinhos que, a sua maneira, fazem desta uma das mais emergentes regiões do país. Motivos mais que suficientes para se propague a tal “responsabilidade”.

 

Mesmo após análise superficial do material jornalístico produzido por aqui, conclui-se (embora longe de ser uma verdade absoluta) que há uma escassez de recursos para se fazer jornalismo na região. Até mesmo os veículos mais antigos e que denotam certa credibilidade, tem dificuldades na hora de produzir informação de qualidade. Apesar de, teoricamente, a responsabilidade dos veículos para com a sociedade como um todo seja fato consumado, muitas vezes esse fenômeno acaba despercebido.

 

Merecem reflexão, os seguintes itens:

 

1º Por não haver direta discussão entre sociedade civil organizada e os veículos de imprensa propriamente ditos, os trabalham acabam feitos – muitas vezes – mecanicamente, sem tempo e condições para avaliações sobre o que é divulgado, seja qual for o veículo;

 

2º Em vista da escassez profissional e material, os veículos existentes acabam dependentes da veiculação de publicidade, muitas vezes referente a grupos específicos e que intentam propagar seus interesses particulares;

 

Pensemos nesta pobre coluna. Faz mais de anos que ela faz parte deste periódico. Anos de divagações, conhecimentos, informações. Experiências divididas com o leitor. Em suma, responsabilidade notória para com a sociedade. De um jeito ou de outro, toda semana, essas linhas atingem de uma forma ou outra, todos aqueles que tiram cinco minutinhos do seu tempo para a leitura. Sendo assim, até que ponto o conteúdo aqui divulgado tem contribuído na vida cotidiana deste leitor? Quem é esse leitor?

 

A mesma linha de raciocínio pode e deve ser aplicada para analisar os muitos periódicos publicados na cidade e região. Quem lê todo esse conteúdo? A quem interessa a divulgação de notícia “x” e não de notícia “y”? E o grande público como fica? Onde entra nessa discussão toda? É passível, que esse grande público, cobre da imprensa, idoneidade na produção dos seus conteúdos?

 

Leiam, questionem, e usem da responsabilidade inata de cada ser pensante e consciente para cobrar por uma comunicação de qualidade. Todos ganham.

 

Fica a dica: não sejam meros receptores do que a grande mídia informa nos seus telejornais e jornais. Nem tudo que se passa no JN é o que de fato é. Pensem, façam e aconteçam.

 

PS: Texto escrito para a coluna Ex-Croto do finado Jornal O Imparcial e não publicado.



Escrito por Anton Roos às 14h44
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   Gerúndio: procurando emprego

Faz quatro meses que o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM) demitiu o Gerúndio do serviço público daquelas paragens. Sem dó, nem piedade. Baixou decreto informando o fato e só. Curto e grosso. Sem chances de argumentação por parte do pobre coitado. Causou enorme rebuliço tão logo mandou as favas o tal Gerúndio. Prós e contras falaram, continuaram a falar e "vão estar falando" por muito tempo sobre o tema.

Todavia, será que a demissão do dito cujo surtiu o efeito desejado?

No dia seguinte ao decreto a assessoria do governador foi taxativa: a demissão do "gerúndio" foi um recado oficial. Pelo estardalhaço causado, Arruda foi procurado a fim de conceder explicações mais consistentes para sua atitude. Enfim, para desdobrar os quatro míseros artigos do Decreto nº 28.314 que justifica a demissão, pura e simplesmente, como "desculpa de ineficiência". Nada do homem. Correto ou não, o fato é que ele (o governador), no uso de suas atribuições legais, obviamente que amparado pelo poder que ostenta, resolveu banir – ou num ato desesperado, tentou banir – a referida locução verbal dos órgãos governamentais do Distrito Federal.

O "gerúndio", inerte, calado e quase esquecido nas gramáticas de língua portuguesa se viu grande. Foi bajulado e, em contra partida, escrachado pelos que querem seu fim. É possível que "tenha tentado" intervir. Algo do tipo: "Vou estar tomando as providências cabíveis ante esse ato desrespeitoso". Ganhou ares de super star, mas logo saiu de cena. Não foi readmitido, pois isso representaria um ato de fraqueza do irritadiço governador. Ficou em trânsito freqüente por todo canto, inclusive nos bastidores do poder público federal. Que o diga o atual governador do Estado de São Paulo, que nos tempos de ministro pronunciou em entrevista oficial: "outra vacina que vamos estar aplicando amanhã".

Como de praxe, não se questionou o que realmente impulsionou o governador a tomar tal atitude, e que pudesse justificar a sumária demissão. Ineficiência? Burocracia? A feliz comunhão dessas duas ilustres palavrinhas de nossa querida língua? Sim. Mas, em que circunstância específica Arruda tomou a decisão, e pior, redigiu – ou não – tão esdrúxulo decreto. Será que uma campanha de conscientização não surtiria melhor efeito? Será que a irritação foi tanta, a ponto do governador ser tão insensato com o malfadado Gerúndio?

É de comum conhecimento que a prática do "gerundismo" assolou o país. Não o gerúndio. Ele por si não passa de mais uma regra gramatical. O seu uso indevido sim, deve ser banido e execrado da face da terra, ceifado sem pudor. Entretanto, não será um decreto isolado e proveniente de um momento de fúria que trará paz aos justos e aos apreciadores do bom português. Nem aqui, nem no Planalto. Não fosse pela demonstração pública de poder, o honrado governador concluiria que o Gerúndio não é empregado exclusivamente do (no) Distrito Federal. Esperto que é, está "sendo empregado" da padaria, da conversa de botequim, das favelas, da alta sociedade, dos campos da política, do esporte e assim continuadamente.

PS: O texto acima é um dos criados e criticados no texto "Sigam-me os bons". Assino o que escrevi na oportunidade, cerca de 30 dias atrás.



Escrito por Anton Roos às 13h32
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   Sigam-me os bons

Quem se utiliza da escrita como principal ferramenta de trabalho, vez por outra comete erros, segue tendências e acaba se enveredando pelo senso comum. Curiosamente, em muitos casos, o autor da façanha, mesmo sem perceber, contribui no aumento gradativo de uma imensa bola de neve de conceitos. A opinião pública abraça a dita como verdade e assim a massa branca segue seu curso, onipotente. Esvai-se a crítica e o livre arbítrio de pensar. O que se pensa e se fala é fruto de outro pensar e falar, plágio constante, recorrente e irreversível. Exemplo clássico é a opinião enraizada na população a respeito dos políticos. Chega a preocupar. Ser político se tornou sinônimo de mau caratismo, corrupção, ladroagem, safadeza e o escambau. Está na ponta da língua. Em cada esquina.

 

 Não interessa nessas linhas apontar um culpado, ou, tecnicamente, a mente brilhante por detrás de tudo isso. Também não é intenção, menosprezar o mérito dos que consideram como verossímil a cafajestagem dos políticos. O que se proclama é a discussão e principalmente a reflexão sobre o assunto. Afinal de contas, porque cargas d’ água odiamos tanto os homens e mulheres que “vivem” da política?

 

O tema dos artigos não se constituía exclusivamente sobre eles, o estopim fora um ato isolado de um representante do povo e não o que aquele homem tivera feito em detrimento da população que governa. Não se pedia para discorrer sobre o quanto de amor ou ódio se tem para com ele (s). O resultado foi desconcertante. O equivalente a pendurar o político num tronco e, castiga-lo sem piedade, chicotada depois de chicotada. Possuídos de prazer, em nenhum momento os autores dos textos se preocuparam nas conseqüências dos mesmos. O sentimento que pairava no ar era de êxtase, uma leve sensação de leveza. Como se todas as impurezas do mundo tivessem sido expurgadas de uma só vez, em uma só lauda.

 

Curiosamente, o senso comum foi a tona dos artigos. Era possível inclusive perceber semelhanças entre uma opinião e outra. Ao passo que se batia não se apresentavam soluções ou argumentos que sustentassem o descontentamento com o político em questão. Todos foram parar no mesmo tacho, sem distinção. Igualmente desprezíveis. Como a conversa que tive com um colega depois da sessão “eu odeio político”. Apesar de nenhum dos autores conhecerem o governo daquele homem público, optou-se pelo mais fácil. Bater, bater e bater.

 

A mesma linha de raciocínio pode ser utilizada com relação a esse texto. Ora pois, ele exprime uma opinião, isolada, com base em preceitos individuais e por isso passível de discussão. Concordantes e discordantes. Livre arbítrio para pensar sobre o tema, manter opiniões ou modifica-las. Mas sempre incólume no erro dos que escrevem e fazem de seus pensamentos visíveis, o erro de agregar adeptos e não gerar reflexões, o erro de querer que todos o sigam, cegamente. “Sigam-me os bons”.



Escrito por Anton Roos às 10h28
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   Gabriel acredita em Papai Noel

Gabriel tem só 4 anos. Ainda toma mamadeira antes de dormir e quando acorda pela manhã. Gosta dela morninha. Não pode ser muito quente, nem muito fria. Como toda criança dessa idade, começa o dia assistindo desenhos animados. Só depois que vai brincar com seus carrinhos ou com sua bola de futebol. Chorominga a noite como forma de pedir carinho e atenção para mãe.  Perdeu o pai a pouco e é possível que não recorde suas feições quando chegar à adolescência.

 

Gabriel não foi programado. Foi um acidente. Nem o pai, nem a mãe previram sua chegada. Eram jovens, cheios de aspirações para o futuro, e claro, muito amor para compartilhar, tanto que geraram Gabriel. Tiveram de aprender a conviver com o preconceito e a árdua missão de educar o filho pequeno. Não se casaram de papel passado. Optaram por conviver no mesmo lar de forma não oficial. Foram felizes por um tempo, os três: papai, mamãe e Gabriel.

 

Todavia, as brigas e discussões se tornaram freqüentes. A paixão descabida dos primeiros tempos foi murchando. Evaporou. Os sonhos já não eram os mesmos. Entre as diferenças do pai e da mãe estava Gabriel, dando seus primeiros passos e palavras. O menino deixou as fraldas, ganhou tios e tias e viu sua mãe lhe apresentar muitos dos amigos dela. Alguns dormiam na mesma cama que ela. Gabriel não entendia. Porque é que o pai não estava lá com a mãe e sim aquele outro tio que ele nem conhecia direito?

 

Papai e mamãe passaram a brigar com freqüência. A separação foi inevitável. Gabriel passou a entender menos ainda o que se passava. Foi cúmplice de discussões e agressões. Chorou, incapaz de impedir que seus pais trocassem farpas diante de seus pequenos olhos. Aprendeu sem mesmo ter aprendido a conjugar o verbo sonhar que isso não era pra ele. Seu mundo não lhe dava oportunidades para tal. Mesmo que sonhasse pouco, ter seu pai e sua mãe juntos e felizes com ele, aprendeu na marra que sua vida se encaminhava para um caminho chato e que não condizia com os momentos felizes que tinha enquanto brincava com os amiguinhos na creche, jogava futebol, tomava sua mamadeira morninha, sua mãe ia lhe buscar na escolinha, ou passava o final de semana com o vovô e a vovó. Nada disso.

 

Sem entender o mundo que o cercava, Gabriel perdeu o pai. Disseram para ele que o pai não voltaria. Disseram que o pai havia se enforcado. Tirado a própria vida. Mas porque o pai faria isso, se ele o amava tanto e queria que ele estivesse ao seu lado para lhe dar dicas sobre as garotas quando chegasse a hora? Os sonhos de Gabriel esvaíram-se. Teve de reconhecer na mãe a figura de um ídolo. Alguém que preza por ele mais que tudo e por quem ele deve total consideração, amor e respeito. Mesmo assim, Gabriel tornara-se um menino sem fantasia.

 

Não acreditava em Papai Noel e não entendia porque todo mundo ao seu redor insistia nessa história tola. Via a cidade se enfeitar, dezenas de velhinhos barbudos e com roupas vermelhas pelas ruas, presentes e mais presentes. Nada desse sonho encantado lhe dizia respeito. Entretanto, Gabriel teve uma revelação. Em um das muitos jantares que presenciara ao lado da mãe em sua casa, viu algo que lhe intrigou. No meio dos convidados da mamãe, um deles, embora não usasse as indumentárias vermelhas do Papai Noel se assemelhava e muito com aquele cara. Ele sabia que a barba do papai noel era feita de algodão. A daquele cara que ele observava com o canto do olho era real. Não podia ser. Será que Gabriel estava diante do verdadeiro Papai Noel?

 

Não resistiu a tentação e perguntou a mãe:

 

- Mãe, quem é aquele tio ali.

 

- Gabi, aquele tio trabalha com o papai noel.

 

Gabriel se espantou. Os olhos brilharam. Um sorriso quis escapar do seu rosto. Mas restava a dúvida. Será mesmo que aquele cara barbudo conhecia o verdadeiro papai noel. Era sua chance. Precisava tomar coragem e falar com ele. Tinha vergonha. Procurava uma oportunidade de se aproximar. Sua mãe percebendo a inquietação do filho, o instigou a ir até ele.

 

- Vai filho, pergunta pra ele. Pergunta se ele não trabalha com o papai noel.

 

E lá foi Gabriel. Coração em disparada, correu e estancou diante do homem a sua frente e perguntou:

 

- É verdade que você trabalha com o papai noel?

 

O susto mudou de lugar. Quando vi aquele garotinho e percebi o brilho nos seus olhos, não titubiei e respondi que não só trabalhava com o papai noel, como o conhecia e que era seu amigo. O rosto daquele menino se iluminou. Um riso alto tomou conta do lugar. Gabriel correu para os braços da mãe para contar a novidade. O sonho voltara aquele pequeno coração. Gabriel acreditava em papai noel.

 



Escrito por Anton Roos às 10h43
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   Um escritor pretensioso

Descobri que não posso julgar o leitor/internauta, ou o internauta/leitor. E mais: a ordem que essas palavras aparecem no contexto cá proposto é totalmente irrelevante. Em suma, tanto faz. É conseqüência um do outro e vice-versa. Mesmo sendo blogueiro e colunista deste portal, muitas vezes, não sei qual desses papéis estou interpretando quando navego na grande rede. Ora pois: se esqueço de visitar meu próprio reduto na internet, como é que posso esperar visitas e comentários para o que estou produzindo? Estranho não.

 

Um jornalista gaúcho me ensinou algo interessante, enquanto lia um de seus livros: “um escritor para não ser considerado pretensioso, deve concordar apenas com seus críticos, jamais com seus admiradores”. Pasmei. Em algum lugar de 2007, lembro de ter sido totalmente evasivo ao receber uma crítica. Era como se aquela pessoa não tivesse cacife para tal. Como fui tolo. Criei um casulo de admiradores e só a eles dava ouvidos. Mesmo quando percebi que deveria ser criticado não encontrei quem o fizesse. Nem o Chico, colega e crítico nato, não conseguiu faze-lo. Entrei em crise.

 

Passei alguns meses sem escrever e como conseqüência, deixei de atualizar o blog. O jornal pelo qual escrevia padeceu sem “amigos” que o mantivessem de pé. Pobre coitado. Não sei quem culpar por isso, mas sinto um pingo de remorso ao lembrar dos tempos que ele era lido. Sim, houve um tempo – remoto é bem verdade – que o referido jornal era lido e bastante, diga-se. Não sobreviveu, que descanse em paz. Os outros que continuam respirando são tão ruins que não merecem citação. Fujam se os virem.

 

É por essas e outras que não sei o que será do jornalismo daqui uns anos. Bem que tentaram me avisar: o futuro é incerto. E como é, devo acrescentar. Em dezembro último, conversava com a editora de um jornal novato nas bandas da capital gaúcha. Jornalista formada, não demorou em questionar: não se arrependeu por ter escolhido jornalismo ainda. Confesso, que de imediato estranhei a pergunta. Mas dois meses depois, acho que compreendo o que ela tentava dizer. Parafraseando o velho ditado e tentando soar otimista: já que estou na chuva que fique encharcado.

 

Aqueles que acompanham meus escritos talvez me critiquem desta feita. Tava na hora também. Mas o farão pela redundância, uma vez que já abordei esse assunto em outros textos. Não repetirei os mesmos erros do passado. Não. O melhor é erguer a cabeça e tentar deixar de lado, talvez aqui esteja o último desses flagelos auto críticos. Sei que preciso absorver os ensinamentos do mestre César, quando ele fala que minha narrativa lembra uma conversa de botequim, ou então, tentar não soar tanto como o Coimbra, só porque virei fã de sua maneira de escrever. É possível que seja hora de me preocupar menos com o texto e mais com o conteúdo desse texto.

 

Não sei fazer o que o Zé, ou o Caco sabem. Acho que vocês também não. O que sei, entretanto, é que os casulos que criamos, podem até nos proteger em alguns momentos periclitantes da vida, mas um dia eles hão de ceder. Nesse dia ficaremos expostos e muito mais próximos do definido para um “escritor pretensioso”. Não é o que quero, e acredito, não é o que você quer também. E também não quero mais encher um texto com tanto dois pontos. Basta esse. Basta.

 

PS: Portal que sou colunista: www.oestebahia.com.br

O jornalista (e doutor em sociologia) gaúcho citado no 2º parágrafo: Juremar Machado da Silva, o livro: A miséria do jornalismo brasileiro



Escrito por Anton Roos às 23h38
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   Poste

Com tempo livre e disposição para uma boa faxina, debrucei-me sobre quinquilharias guardadas há tempos. Vinte minutos foram suficientes para empilhar alguns quilos de papel velho. De tudo quanto é tipo. Nessa empreitada, encontrei um texto deveras interessante. Nunca fora aproveitado e fora escrito cera de dois anos antes. Parei meu trabalho de classificação: isso é lixo, isso não é, e comecei a ler aquela velha produção.

Era sobre um poste. Não especificamente sobre um poste, ou qualquer poste, ou o da esquina, ou aquele que fora agredido por um motorista em alta velocidade. Na verdade, aquele escrito nasceu de um desafio. Um poste pode ser notícia? Lembro que fiquei intrigado com aquela indagação. Será que é? Precisava concentrar minhas energias em discutir o assunto. Assim fiz. Quase três laudas. Nada mal para um poste, imóvel e que quase não recebe atenção.

Depois de reler o texto, comecei a fazer conexões entre seu conteúdo e as especificidades encontradas em suas entrelinhas. Sempre fazendo analogia com o que é produzido jornalisticamente em solo brasileiro. Cá entre nós, tive pena do poste. E mais ainda do receptor da informação no país. Como são parecidos meu Deus.

Um poste é testemunha de tudo que acontece a sua volta, só não se expressa, não interage e, logo, não se comunica. O receptor sentado diante de um jornal, revista ou na frente da televisão, também é poste. Ora bolas, mesmo que absorva um cargueiro de informações, na maioria das vezes se torna produto daquilo que consome. E assim a roda continua a girar. O pobre coitado ainda acredita piamente que participa do engodo das transformações sociais ocasionadas pela "propagação" dos fatos (Leia-se como propagação, aquilo que é divulgado massiçamente quando "se resolve" divulgar).

Teoricamente, o malfadado poste não será notícia e muito menos citado em mais de duas linhas. Continuará lá, no seu lugar, quieto e estático. Ninguém ousara olhar pela janela a fim de dar atenção a ele. Existem coisas mais importantes para se fazer dentro das redações. Ora, vejamos, as agências de notícias estão aí, a imediaticidade de uma informação é muito mais importante que a qualidade como essa informação é/será divulgada.

Talvez, quando o poste cair, cansado, desolado, ele receba alguns segundos de atenção. Quem sabe. Poste por poste, somos todos iguais.



Escrito por Anton Roos às 12h56
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