Blog do Barba
   Responsabilidade

Tenho refletido muito sobre o tema. Tanto que acredito o dito polissílabo jamais esteve tão presente. No que tange aos veículos de imprensa, o termo é normalmente pautado como regra para produção de informação verossímil e condizente com a realidade. Entretanto é notório que se questione, muito embora, o assunto seja merecedor de muito mais espaço que o reservado a esta coluna.

 

Dia desses, fui testemunha de calorosa discussão sobre o futuro da profissão jornalista. De um lado se argumentava que o mercado está a cada dia mais acirrado e que as faculdades não estão aptas a capacitar os futuros profissionais para o dia-a-dia das redações, estúdios de gravação, etc. Do outro, contra argumentava-se afirmando a necessidade da profissionalização. O casamento entre teoria e prática. Pena que o tempo diminuto não concedeu espaço para que os debatedores terminassem a discussão.

 

Pairaram dúvidas no ar naquela manhã quente e seca.

 

Ora, não é novidade que a região oeste pleiteie separar-se do restante da Bahia, e fato é, que nunca na história, a criação do Estado do São Francisco estivesse tão próxima de acontecer. Só isso já faz deste chão, merecedor de mil e uma “responsabilidades” por parte dos comunicadores locais. Roda Velha cresce e tramita emancipação de São Desidério. Este por sua vez, é um dos maiores produtores de algodão da Bahia. Barreiras é Barreiras, mãe desta região e crescente pólo universitário, Luis Eduardo, além de capital do agro negócio, ganha a cada dia contornos de cidade grande. E isso sem contar, os demais municípios circunvizinhos que, a sua maneira, fazem desta uma das mais emergentes regiões do país. Motivos mais que suficientes para se propague a tal “responsabilidade”.

 

Mesmo após análise superficial do material jornalístico produzido por aqui, conclui-se (embora longe de ser uma verdade absoluta) que há uma escassez de recursos para se fazer jornalismo na região. Até mesmo os veículos mais antigos e que denotam certa credibilidade, tem dificuldades na hora de produzir informação de qualidade. Apesar de, teoricamente, a responsabilidade dos veículos para com a sociedade como um todo seja fato consumado, muitas vezes esse fenômeno acaba despercebido.

 

Merecem reflexão, os seguintes itens:

 

1º Por não haver direta discussão entre sociedade civil organizada e os veículos de imprensa propriamente ditos, os trabalham acabam feitos – muitas vezes – mecanicamente, sem tempo e condições para avaliações sobre o que é divulgado, seja qual for o veículo;

 

2º Em vista da escassez profissional e material, os veículos existentes acabam dependentes da veiculação de publicidade, muitas vezes referente a grupos específicos e que intentam propagar seus interesses particulares;

 

Pensemos nesta pobre coluna. Faz mais de anos que ela faz parte deste periódico. Anos de divagações, conhecimentos, informações. Experiências divididas com o leitor. Em suma, responsabilidade notória para com a sociedade. De um jeito ou de outro, toda semana, essas linhas atingem de uma forma ou outra, todos aqueles que tiram cinco minutinhos do seu tempo para a leitura. Sendo assim, até que ponto o conteúdo aqui divulgado tem contribuído na vida cotidiana deste leitor? Quem é esse leitor?

 

A mesma linha de raciocínio pode e deve ser aplicada para analisar os muitos periódicos publicados na cidade e região. Quem lê todo esse conteúdo? A quem interessa a divulgação de notícia “x” e não de notícia “y”? E o grande público como fica? Onde entra nessa discussão toda? É passível, que esse grande público, cobre da imprensa, idoneidade na produção dos seus conteúdos?

 

Leiam, questionem, e usem da responsabilidade inata de cada ser pensante e consciente para cobrar por uma comunicação de qualidade. Todos ganham.

 

Fica a dica: não sejam meros receptores do que a grande mídia informa nos seus telejornais e jornais. Nem tudo que se passa no JN é o que de fato é. Pensem, façam e aconteçam.

 

PS: Texto escrito para a coluna Ex-Croto do finado Jornal O Imparcial e não publicado.



Escrito por Anton Roos às 14h44
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