Blog do Barba
   Julho

A metade se foi. Nenhum desavisado precisou me convencer do contrário. Apenas foi e não voltará. Por mim tudo bem. Não fará falta. Foi como um ciclo que precisa se fechar. O curioso é que por mais que passe e se vá e só retorne no próximo ano, ainda assim manterá lembranças. Ou serão magoas. Não, isso não. No máximo uma cicatriz no lado esquerdo do peito, capaz de permanecer por algum tempo e depois desaparecer sem deixar vestígios.

Julho, lembrarei de ti por muito tempo. Ah, se pudesse encontrar com a personificação do sétimo mês do ano seria exatamente isso que diria. Mesmo que no fundo não queira, ou saiba que esquecer é algo muito mais complexo e distante da minha vontade própria. Como se o verbo esquecer estivesse diretamente ligado ao coração e não a razão. Lembro de ter lido algo relacionado nas crônicas do Paulo Sant´anna.

O que fiz, o que não fiz. O que aconteceu, o que não aconteceu. O que eram planos, e o que se tornou frustração. Engraçado que ninguém me perguntou o que penso sobre isso. De parte alguma. Nem mesmo um desconhecido, que de tão desconhecido não passa de um nômade sem rumo, sem teto, sem direção. Nem antes, nem agora e provavelmente nem depois. Tanto faz, “cada dia com suas próprias preocupações”. Está na Bíblia.

Verdades por verdades, é que julho, por fim, não me deu Paris. É, houveram dias que Paris estava nos planos de julho e julho nos planos de Paris, como dois jovens que se conhecem numa noite estrelada e se amam descompromissadamente. Foi assim. Não trocaram telefones, não trocaram e-mails. Cada um pro seu lado. Eu no meio, perdido e sem ninguém. Foi assim.

Não existe quem culpar. Tão pouco razões para encontrar algum culpado. Sonhadores, visionários, apaixonados, talvez, não culpados. O que importa é que fiquei, não cheguei, não vi e não tive tal oportunidade. Não houve reencontro, abraço e o escambau. Só mais distância. Aprendizados as pompas. Clichês gritando no pé do ouvido: “eu avisei”, “eu avisei”. Paris não veio. O dia não veio. Outros vieram, diferentes, com outras oportunidades, perspectivas e decisões. Só Paris que não veio. Oxalá, que venha um dia.

É isso, decisões. Atitude, no singular e plural. Comodismo? Não. Só o momento, não era hora, sei lá. Julho não quis. O ano não quis. O destino não quis. Haverá uma nova chance? Sim, porque não. Sonhar ainda é permitido e não nos cobram nada por isso. Afinal, esquecer é verbo que não se controla e só o tempo dirá se fiz (emos) a melhor conjugação.

Enfim, bye, bye Julho.



Escrito por Anton Roos às 15h01
[] [envie esta mensagem] []


 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]  
 
 



Meu perfil
BRASIL, Nordeste, LUIS EDUARDO MAGALHAES, Homem, de 26 a 35 anos, Livros, Música, e
MSN -

HISTÓRICO



    OUTROS SITES
     UOL - O melhor conteúdo
     Falando Sozinho - Blog do João
     Delfos
     Marjorie Bier
     Monolitos - Blog do Bill
     UniSãoFrancisco - Revista Digital de Barreiras/BA


    VOTAÇÃO
     Dê uma nota para meu blog!